quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

"cuecas-forte"


A primeira vez que "fiz o inter-rail" - que era uma espécie de bilhete de comboio "sem fronteiras" com a validade de um mês , qual espécie de ritual de iniciação à vida adulta que muitos jovens experimentavam - a minha mãe, sempre cautelosa, tratou de me fazer uma bolsinha de pano, muito, muito discreta , com duas pequenas presilhas que enfiavam no cinto das calças,ficando a bolsa escondida, virada para dentro, longe da vista e portanto longe da cobiça alheia. Dentro da bolsa ia todo o dinheiro disponível para a viagem porque na altura não havia caixas multibanco nem cartões de crédito.

Eu estava francamente convencido que este tipo de expedientes de salvaguarda de valores tinha caído em desuso... até este Natal. As cuecas da fotografia - cuja juventude é atestada pela alvura e pelas notas de vinte euros que as compõem - foram dadas como prenda por alguém a uma senhora do meu círculo de afectos. Eu presenciei a cena e quis perpetuá-la.

Penso perceber... depois de se irem a bolsa, a carteira, os cartões, o passe social , as jóias ,os anéis e o telemóvel, há que garantir o regresso em transporte adequado , com eventual paragem para um cafézinho e uma sandes, não vá o assalto ter ocorrido longe de casa.

3 comentários:

manuel teixeira disse...

Ideia brilhante !
Gostaria que perguntasses à Sra. tua amiga onde se podem adquirir estas cuecas à prova de ladrão, porque eu também quero ! É que na cueca é que está o ganho...

miguel disse...

Manel: os 40 euros eram os que eu tinha à mão.Mas a cueca dá para tudo...até como último reduto do preservativo para ocasiões inesperadas mas que não esperam...

Mad disse...

Liiindo!