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segunda-feira, 24 de março de 2008

crónicas de Lisboa (II)




A 5ª feira Santa remete para um valor que me é muito caro: a humildade. De humilde só me posso considerar enquanto homem sem património de jeito que possa, como quem não quer a coisa, exibir orgulhosamente aos amigos. Mas quis talvez o destino que na 5ª feira Santa de 2008 tenha feito algo cuja revelação me vai obrigar , hoje, a ser humilde perante vós pelo que essa revelação possa contradizer a ideia que tenho e que me atribuem de ser um pai quase perfeito: foi nesse dia que pela primeira vez levei os meus dois mais novos a visitar a sua cidade-natal, obedecendo a um plano rigoroso; consistente; culturalmente direccionado; não fazendo concessões às armadilhas do acaso e aos caprichos dos humores momentâneos.

Cumprindo uma vontade antiga e aproveitando as informações úteis que a Sofia me transmitiu em tempos, decidi levar os meus descendentes directos a visitar os belos miradoiros de Lisboa não sem que antes os instruísse acerca da topografia da cidade ; do conceito de centro enquanto pólo fundador; de fuga à periferia enquanto igual fuga ao abastardamento urbano; do verde e do rio, das edificações e das ruas estreitas e sinuosas que fazem da nossa Olissipo a mais bela urbe do mundo para cujo regaço apetece sempre voltar.

As fotos que acompanham a entrada ( por mim captadas ) são um ínfimo testemunho do prazer que me deu ser um pai mais responsável e organizado nesse dia: era uma pedra que eu tinha nos meus envelhecidos sapatos, pedra áspera e rugosa causadora de mais dor do que o joanete que me atormenta e deforma o dedo grande do pé direito!